Fonte: Redação - Foto: Divulgação

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros (Selic) a 2% ao ano. 


Apesar da manutenção, o mercado financeiro prevê alta para a taxa, principalmente por conta da inflação que terminou 2020 em 4,52%, acima da meta de 4%. 


Com a projeção de aumento, o setor imobiliário se divide entre o otimismo de ser um bom momento para investir e os que acreditam que o cenário pode mudar.


Para a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF-MS), Daniela Dias, a alta de juros pode influenciar de duas maneiras.


“Primeiro que quando você tem os juros mais baixos, você estimula o consumo, a busca por crédito, por financiamentos, como aconteceu com a construção civil com a compra de imóveis, por exemplo. Isso é positivo, mas, por outro lado, impacta no aumento da inflação. 


Porque com o aumento da demanda por determinados produtos, a gente tem o aumento dos preços, e, dependendo da oferta de mercado, a gente tem inflação”, explica Daniela e complementa.


“A depender do segmento, a gente percebe que essa inflação está exacerbada: como no preço de alimentos e materiais para construção. Para controlar a inflação tem de controlar a demanda”, analisa.


O doutor em economia, Michel Constantino, explica que segundo relatório do Copom, os juros não serão mantidos a 2%. 


“A Selic é a base de todo o mercado, são juros de financiamentos, de investimentos, e tudo isso tende a aumentar na proporção que a Selic aumente. Isso faz com que as pessoas diminuam o consumo, como a compra de carro a prazo e de imóvel a prazo, e isso é ruim para economia”, considera.


Ele ainda ressalta que a alta na taxa básica de juros pode atrair investimentos estrangeiros. 


“Do lado positivo, quando os juros aumentam acontece uma motivação maior de estrangeiros que investem no Brasil. Eles podem comprar títulos brasileiros que são remunerados com essa taxa de juros.


Com eles mais altos, você incentiva os mais especuladores a comprar títulos. E o governo consegue arrecadar mais dinheiro”, conclui Constantino.


Na prática, a alta na taxa de juros é uma tentativa de controle da inflação, deixar o crédito mais caro e desestimular o financiamento de casa, carro, etc.


“Isso obriga as pessoas a penarem um pouco mais na hora de se endividar, porque com o atraso nas prestações as taxas ficam mais caras”, salienta Daniela.  


Segmento


A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) prevê crescimento de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil. O setor se divide entre otimistas e cautelosos.


Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 14ª Região (Creci-MS), Eli Rodrigues, caso a Selic aumente, a variação não deve ocorrer de uma vez.


“Será de forma escalonada, assim como foi quando houve a redução, até porque o governo tem como meta impulsionar a economia, o que de fato está ocorrendo com as taxas de juros baixas, ou seja, cada medida é estudada de forma que não desestimule a poupança e nem o investimento”, analisa.


Ainda segundo ele, a concorrência entre as instituições financeiras não deve deixar que os juros subam.


“Os bancos oficias trabalham com taxas de juros atrativas, o que força os bancos particulares a disputarem os clientes”, avalia Rodrigues.


Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam que de janeiro a novembro do ano passado os empréstimos da caderneta de poupança para financiar compra e construção de imóveis cresceram 52%.


O economista do DataZap, braço de inteligência imobiliária do Zap+, Sérgio Castelani, diz que o comprador brasileiro tem um comportamento de que se a parcela cabe no bolso em geral, ele tende a entrar no financiamento imobiliário.


“Com a Selic mais baixa, o financiamento imobiliário também baixou suas taxas de juros, estimulando muito a compra dos imóveis. Porque não adianta só cair a Selic, tem de cair a taxa na ponta do financiamento. 


O ano passado foi marcado por uma concorrência dos bancos privados, entrando para concorrer com a Caixa, tanto que hoje a gente consegue encontrar as taxas dos bancos privados tão competitivas quanto as da Caixa”.


Para o economista, com a alta da Selic, os financiamentos devem ficar um pouco menos atrativos.


“A perspectiva é de uma leve piora em relação ao ano passado, porque vai ficar mais caro para o consumidor financiar seu imóvel: a parcela, o valor e os juros ficarão mais caros. Isso diminui o número de pedidos de financiamento. 


Mas esse efeito não deve ser muito forte, porque se a parcela couber no bolso da população, a demanda se sustenta. Vale lembrar que antes a gente trabalhava com taxas de juros muito mais altas, com a Selic acima de 10%”, diz Castelani.


O especialista em mercado imobiliário da FGV, Pedro Seixas, também não é tão otimista. Para ele, a fraca base de comparação em relação a 2019 levou ao crescimento na concessão de financiamentos em 2020.


“A questão é se esse crescimento será sustentável por causa da renda e do emprego. Do ponto de vista pessoal, quem tem dinheiro deve aproveitar os juros baixos e comprar [um imóvel], mas é diferente de dizer que o crescimento é sustentável”.


Segundo os especialistas, as principais linhas de financiamento imobiliário são: com taxa fixa e juros prefixados; juros mais correção pelo IPCA (inflação); e juros mais taxa referencial (TR).


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